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O que é uma boa cidade? Quem fez essa pergunta foi Natália Garcia, jornalista especializada em planejamento urbano. Ela é criadora do projeto Cidade para as Pessoas, que arrecadou mais de 25 mil reais através do site de crowdfunding Catarse. Com essa verba, Natália viajou por sete grandes cidades europeias na busca de ideias que pudessem inspirar municípios brasileiros. Em recente texto, a jornalista questiona quais seriam as características de uma boa cidade e destaca a importância de saber ler um município e diagnosticar seus problemas.

O índice de qualificação usado com mais frequência é o PIB (Produto Interno Bruto). Esse “termômetro” avalia um município economicamente, analisando sua produção de riqueza. Nesse contexto, em 2010, Porto Alegre ocupava o sétimo lugar na lista das cidades brasileiras, segundo o IBGE. Levando apenas esse índice em consideração, a capital gaúcha é a sétima melhor cidade do país. “O PIB, no entanto, é um indicativo bem incompleto se queremos analisar a fundo a qualidade de uma cidade”, pondera Natália.  Nessa classificação, seria importante considerar quanto do dinheiro produzido por uma cidade efetivamente vai para as mão da população.

Outro fator que pode ser usado na qualificação de um município é o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, que cruza informações de expectativa de vida com educação e PIB). Ainda assim, de acordo com a jornalista, “O IDH também não dá conta de qualificar integralmente uma cidade”. Segundo Jeff Risom, planejador urbano do Gehl Architects, há cinco lições que Copenhague (um dos locais visitados por Natália) poderia ensinar às cidade brasileiras. Dentre essas lições, dois pontos se destacam:

– Cidades são feitas de pessoas e são elas que devem estar no centro das atenções de qualquer administração pública.

– É importante aprender a ler uma cidade, relacionar seus indicadores para poder atacar os problemas certos e com eficácia.

Considerar as características de um município e sua população é, portanto, crucial no desenvolvimento de ações e projetos que possam ter um impacto real e efetivo. Além disso, é uma boa reflexão para os participantes do TransLAB, que se propõem justamente à tarefa de criar planos de intervenção benéficos para Porto Alegre. Sobre isso, vale dar uma conferida no projeto Cidades Sustentáveis. Esse programa desenvolveu uma carta-compromisso que pode ser assinada pelos políticos nas próximas eleições. Ela possui diversos itens, entre eles a medição de 100 indicadores que fariam uma grande leitura de cada cidade.