Escolha uma Página

A higienização urbana alude a processos adotados por governantes que resultam na remoção das “castas inferiores” de determinadas partes da cidade. Os casos mais lembrados no Brasil são os do Rio de Janeiro, de Recife e Salvador, onde as revitalizações – o que é um eufemismo – expulsaram habitantes das zonas centrais, marginalizando-os rumo a lugares menos “privilegiados” na geografia da cidade.

Embora sempre arbitrárias, as logísticas destas “faxinas” não se concentram nas ações policiais ou de despejo. O viés das reformas propostas é focado no consumo, formando espaços urbanos – e não públicos – alienantes à população sem poder de compra. Antes zonas populares, tomadas pelo lixo e pela violência, as regiões já “gentrificadas” tornam-se rapidamente seguros refúgios para a classe média-alta, enquanto os setores de renda menor não demoram a serem expulsos por completo para lugares marginais, motivados pelos aumentos nos custos de aluguel, IPTU e outros serviços.

Nestas “comunidades” (como o governo passou a chamar as favelas depois de “pacificadas” pelas UPP’s) não se estimula o mercado e não se revitalizam os espaços; lá o maior fomento é ao medo, através de uma racista e desastrada guerra às drogas. O morador do morro no Brasil é privado da sua cidadania e seus direitos quando é obrigado a ocupar aquele espaço, além de tornar-se invariavelmente vítima do cenário de conflito em que vive. Comunidades enormes são esquecidas pelo braço do estado enquanto os grupos menos privilegiados, que demandam mais auxílio, são só lembrados em época de eleição, como massas de manobra.