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Este conteúdo foi uma colaboração do TransLAB, escrito pelo Álvaro Hetzel para o pessoal do MiniFullLife. Ele foi publicado originalmente aqui.

 

Um lance legal de trabalhar em um espaço como a Duplan (sede do TransLAB) é como tu te acostumas a ver e viver as coisas ao teu redor de um jeito diferente. Um dia desses íamos eu e o Rafa recolher os quadros que espalhamos pela rua pedindo sugestões para o bairro e, caminhando até a esquina, lembramos da ideia do mapeamento e começamos a procurar problemas que um pouquinho de colaboração podia ajudar. Mapear o bairro é uma vontade bem antiga nossa no TransLAB e, como muitas dessas “pilhas” meio empacadas, essa era uma que precisava de alguém pra começar. E parece que o universo da vizinhança nos botou essa pressão e fez dar o “estalo”.

Este é o Rafa, o TransLABer, adorando a Duplan florida

Este é o Rafa, o TransLABer, adorando a Duplan florida

A Duplan é uma rua do tamanho de uma quadra no Rio Branco. Caminhando por dois minutos nós passamos por três avisos em postes – à caneta, em folha de caderno -, todos de reclamações. O centro em que as reclamações orbitam, pelos avisos que já vimos outras vezes também, são os bichos. Os gatos são o maior problema: já saturaram a rua e são uma preocupação de saúde, além de sujarem nossa hortinha, o que é horrível. Outros dois cartazes falando sobre cães e seus dejetos chamaram atenção, porque eram da mesma pessoa, estavam cheios de rancor e era uma treta entre pessoas, não uma mobilização como no caso dos gatos.

Na nossa cabeça as soluções parecem sempre viáveis, mas, no caso de um laboratório cidadão, o alcance dos nossos braços é medido pela quantidade deles, então algumas ações são difíceis de fazer sem bastante gente. Resolver o problema dos gatos parece algo assim, porque são realmente muitos gatos. Mas a questão dos cachorros eu e o Rafa já achamos a saída antes mesmo de voltar pra casa da nossa caminhadinha e podíamos até ter resolvido naquela mesma hora. Umas caixas, latas de lixo, uns avisos de “Coloque aqui a sujeira do seu cachorro :)” não só resolveriam o problema, como mostraria pro pessoal que colaborar e agir pelo coletivo são soluções fáceis pra muita coisa.

O mapeamento do bairro vai nos ajudar nessas pequenas intervenções, mas também vai contribuir para processos maiores; em um raio de 500 metros do LAB existem pelo menos 5 escolas, já pensou em quantas ideias sem um empurrãozinho não existem por aí? Saber o que acontece ao nosso redor é um passo importante pra conseguir inovar, o que estamos fazendo é saindo do empírico e concretizando essa vontade antiga.

Este é o cabide solidário, uma intervenção simples e replicável que será auxiliada e potencializada pelo mapeamento

Este é o cabide solidário, uma intervenção simples e replicável que será auxiliada e potencializada pelo mapeamento

Como? Bueno, o processo está numa fase extremamente inicial, mas a gente tem o dever de abrir o que fizemos. Um e-mail, uma pasta, uma tabela e um documento criados em uma plataforma de co-edição de documentos (da mesma empresa que me deu a medida no raio de 500m). Com essa pequena mobilização nós aterramos o início de um processo, quem se sentir chamado (e será) pode ir lá anotar o que viu na rua pra juntos pensarmos em soluções; em breve iremos também mapear os trajetos de quem vem diariamente pra casa pra pensarmos em caronas, pegada de carbono, essas coisas!

O link pra ver como as coisas estão sendo organizadas é esse: http://bit.ly/1FvrykP. Chamamos a colaboração dos frequentadores do bairro e convidamos todos a virem aqui no TransLAB pra conhecer o espaço, a proposta, e falar um pouco mais sobre isso (ou sobre qualquer coisa). O LAB acontece através das pessoas que o utilizam, é uma ferramenta para nos relacionarmos com a cidade, gerando inteligência coletiva, capital social e construindo diferenças reais para todos. Quanto mais gente, melhor 🙂

Chega aqui no TransLAB!