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Originalmente publicado em Invente.arte

Bicicletas atracadas na rua Três de Maio esq. Gonçalves Chaves (calaçada ao lado do estacionamento) e deu-se o início ao trabalho: tornar a arte acessível através das ruas, locais onde comumente as expressões visuais não vão além de abusivas e apelativas propagandas, estímulos visuais massantes que desviam o olhar até mesmo da histórica e abandonada arquitetura local. Entretanto, na busca por expressão e na tentativa de expor suas mensagens à sociedade, resistem os artistas urbanos, transgressores de um sistema mecânico e opressor.

Os espaços nos quais realizam-se estes trabalhos são variáveis, assim como o público que passa pelo local, contudo o diálogo que se faz com os mesmos durante o processo se repete e estimula os artistas que sempre recebem o apoio e incentivo de quem transita por ali, enfim o respaldo recebido garante não apenas a satisfação de estar ali pintando, como também a certeza de que a sociedade precisa mais do que nunca de arte. Não simplesmente uma arte com fim em si mesma, mas uma arte que estimule a expressão, que desperte novas potencialidades, e que torne as ruas, locais no mínimo mais agradáveis.

Neste domindo (15/07) os próprios moradores do local (rua Três de Maio esq. Gonçalves Chaves) nos chamaram a atenção para este fato: a necessidade da preservação das ruas, no sentido de reparar o atual abandono das mesmas. Segundo o relatado (e não precisa-se mais do que o odor para perceber) o muro do estacionamento é utilizado como banheiro público durante a noite, provavelmente em razão de situar-se a metros da universidade (UCPel), onde uma grande quantidade de jovens reunem-se entre bares e a instituição para consumir bebidas alcólicas.

Tal fato acima descrito é algo recorrente a vários pontos da cidade, mas por qual razão? Sem dúvida esse comportamento é estimulado pelas características desses locais, geralmente sem ou com precária iluminação; não possuem grande fluxo, o que propicia ainda mais a violência e a insegurança, dentre outros delitos. Enfim, estes locais denunciam o abandono urbano, afetando diretamente a população.

É preciso que os responsáveis públicos sanem não somente esses fatos primários a uma cidade que acaba de comemorar entusiasticamente 200 anos, como também incentivem e apoiem a arte, a expressão urbana, afim de que se construa uma nova realidade social, gerando mais do que oportunidades de trabalho mecânico, e sim o estímulo e o despertar da emoção, das potencialidades humanas.